Um roteiro completo da Puglia – Italia. Quais cidades você deve incluir no seu roteiro

Resumo do Post

Era outono de 2019, e partimos para conhecer a região do salto da bota na Itália. Apesar da Puglia não ser tão conhecida como suas as primas famosas Roma, Veneza, Florença e Milão, posso dizer que foi amor à primeira vista. Os dias ensolarados, as fazendas de oliveira, as falésias incríveis, o mar azul turquesa, a gastronomia mediterrânea, a herança histórica da ocupação grega, romana, aragonesa deixam os visitantes absolutamente encantados por este pedacinho de paraíso em terras italianas. E na minha opinião, a cereja do bolo fica sem dúvida para o ritmo de vida tranquila por lá. Em várias cidades o comércio fecha na hora do almoço, as senhorinhas conversam com suas vizinhas sentadas em bancos nas portas de suas casas, e as ruas ficam desertas após o almoço para tudo voltar a reabrir a tardinha. Me digam se não são motivos suficientes para se apaixonar pela Puglia?

O roteiro durou 10 dias e nossa base desta road trip na Puglia foi a cênica cidade de Polignano a Mare, a cidade que é considerada a pérola do Adriático. Acho que foi uma boa decisão pois as cidades eram muito perto uma das outras e as estradas excelentes.

A Puglia é banhada pelo mar adriático e mar jônico. As cidades mais procuradas estão do lado adriático como Bari, Monopoli, Otranto, Polignano a Mare. Do lado do mar jônico, conhecemos a lindíssima Gallipoli que é considerada a Ibiza da Italia. A cor do mar é de um azul turquesa que nos faz sentir em uma imensidão azul.

Rotas para chegar:

Saindo de São Paulo, nossa rota para chegar a Puglia, foi um vôo direto até Roma. De lá alugamos um carro e dirigimos por 536 km até Polignano a Mare que foi nossa base para conhecer várias cidades da região. As estradas principais são ótimas e as estradas entre as pequenas cidades são cênicas. A cada cidade, encontramos fazendas de oliveiras, masserias, trulli e tantas outras belezas características da Puglia. Alugar um carro para percorrer a região da Puglia é fundamental.

A escolha da base em Polignano a Mare nesta viagem a Puglia, foi pela localização e por ser uma cidade que oferece várias opções de restaurantes, lugares turísticos e um centro histórico absolutamente charmoso. Abaixo a distância de Polignano até as cidades que conhecemos:

Confira as principais cidades que visitamos no roteiro da viagem a Puglia. (note que Matera fica na regial de Basilicata, mas muito pertinho de carro da Puglia)

Monopoli: 13km
Alberobello: 31km
Locorotondo: 34km
Lecce: 117Km
Otranto: 166Km
Gallipoli: 156Km
Matera: 101Km

Ostuni: 33Km


Polignano a Mare

Esta é a cidade cartão postal da Puglia, e confesso que foram as fotos da praia de Cala Porto, uma praia estreitinha de areia de pedrinha e espremida entre 2 falésias enormes e incríveis que me despertaram a curiosidade para conhecer os encantos do sul da Italia. A cidade tem em torno de 18 mil habitantes, é debruçada para o mar adriático.

Pensando no que me encantou mais em Polignano a Mare: o labirinto das ruas de pedra que dão de cara para um terraço panorâmico, as casinhas brancas floridas que parecem de bonecas saídas de livros infantis, a cidade inteira que fica no topo das falésias, aquela praia no centrinho que é o cartão postal da cidade e do mundo, a grota palazzese que foi a melhor experiência de jantar da vida, o andar sem pressa e a paradinha para um vinho no Happy hour, o arco Marchesale que é a grande porta para o charmoso centro historio e que nos transporta para o século XVIII, o mar Adriático que alterna entre o azul turquesa e o verde esmeralda, ou tudo isso junto. Polignano a Mare foi amor à 1ª vista.

História para saber:

A história conta que a cidade foi fundada pelos gregos, mas depois tomada por romanos, e ainda hoje podemos ver vestígios deste domínio quando Polignano fazia parte da rota que ligava Roma a Brindisi. A ponte Lama Monachile bem no centrinho histórico é um exemplo. A cidade ao longo dos séculos sempre teve uma localização importante sob a ótica comercial ligando oriente ao ocidente e por isso foi conquistas por romanos, gregos, aragoneses. Seu núcleo mais antigo fica no topo de paredões de falésias calcarias. Sua economia atual gira em torno do turismo, agricultura e pesca, e dizem que vem da Puglia os melhores azeites do mundo. E fascinante percorrer as estradas e a acompanhar as infinitas fazendas de oliveiras.

Lugares para conhecer:

Praia Cala Porto: Esta é a praia mais fotogênica da cidade e aquele cartão postal que com certeza você já deve ter visto em alguma foto. A praia fica bem no centrinho histórico e a vista mais magnifica da Cala Porto é da ponte Lama Monachie. Uma dica é voltar a noite para esta parte da cidade iluminada. Um espetáculo.

Centro Histórico: Se perder entre as ruas estreitinhas de Polignano e sem querer se deparar com aqueles inúmeros terraços públicos debruçados para o mar. Esta é a melhor forma de conhecer a cidade, a mais surpreendente e mais deslumbrante. A dica é estacionar o carro, o que é bem fácil em Polignano e seguir a pé atravessando o Arco Marchesale, que era a antiga porta da cidade no século XVIII, almoçar em um restaurante charmoso na Piazza Vittorio Emanuele II, passar pela igreja Chiesa Matrice di Santa Maria Assunta. São inúmeras lojinhas, restaurantes, lugares históricos, casinhas brancas, janelinhas floridas, terraços panorâmicos para explorar e se perder.

Estátua Domenico Modugno: Provavelmente você já deve ter ouvido aquela canção italiana Volare. Polignano a Mare se orgulha tanto de Modugno que nasceu na cidade que fez uma estátua em sua homenagem, a beira mar. Seguindo após a praia Cala Porto, o local fica bem pertinho. É uma caminhada linda. Domenico Modugno ganhou o festival de San Remo por 4 vezes na década de 60, e foi ator, cantor e cineasta

Hospedagem para escolher:

Hotel Castellinaria: A localização deste hotel fica a 3km do centro de Polignano a Mare, como estávamos de carro, e como a dinâmica da viagem era conhecer cidades próximas e não ficar somente em um local, aprovamos a escolha. O hotel é amplo, os quartos reformados, e tem um beach club, que é compartilhado com outros hotéis. Um outro motivo para escolhermos este hotel, era a proximidade da praia a poucos passos, não precisava nem sair do hotel, era como se fosse uma praia particular. Achamos a hospedagem ótima.

Lugares para comer & beber:

Grotta Palazzese: Um almoço ou um jantar especial e imperdível. O restaurante e hotel Grotta Palazzese ficam localizados em um lugar único. Trata-se de uma caverna natural sobre o mar adriático.  Não é um lugar barato, porém perfeito para uma comemoração especial. Já foi considerado um dos restaurantes mais românticos do mundo, e realmente a atmosfera é muito especial. Fizemos uma reserva com 1 mês de antecedência para um jantar às 8h da noite. Para mim, a experiência foi nota 10. A comida, o lugar, o atendimento.

Na Piazza Vittorio Emanuelle II: A praça principal do centro histórico tem vários restaurantes. Nosso 1º almoço logo que chegamos foi por lá, e o que me chamou atenção e que parece que é uma tradição por la, é que podemos escolher o peixe que iremos comer. O garçon nos direciona para dentro do restaurante, estávamos na varanda nas mesinhas ao ar livre, e uma vez escolhido o peixe é sé esperar. Para mim, comida mediterrânea é uma das melhores do mundo, então não tem erro.

Gallipoli

Gallipoli é chamada de Ibiza italiana e foi a única cidade que visitamos na região da Puglia que é banhada pelo mar jônico. Todas as outras cidades visitadas eram banhadas pelo mar adriático. A cidade ferve no verão com jovens, beach clubes, Happy hours, música e muita praia. As praias superaram toda a expectativa que eu tinha. Mar azul turquesa, águas calmas e tranquilas, enseadas que são verdadeiros paraísos no meio da cidade, pertinho de tudo.

A praia pública do centro histórico é a belíssima Spiaggia dela Puritá. Como visitamos a cidade em setembro, a praia estava muito tranquila, com pouco gente, ao contrário do verão. A vontade era de ficar o dia todo por lá. Praia incrível e imperdível.

Um outro atrativo que encanta os visitantes em Gallipoli é a herança barroca e muito presente na cidade principalmente nas igrejas e grandes portões. Mais uma vez, o melhor em Gallipoli, além das praias, é ser perder sem destino e caminhas nas ruas estreitas.

A orla de Gallipoli me lembrou muito a Grécia, casinhas brancas, mar azul turquesa, e praias que nunca sairão da minha memória.

Monopoli

Partindo de Polignano a Mare em direção ao sul, Monopoli fica a 13km de distância. Imagina uma cidade pitoresca e bem pequena. Era um dia ensolarado, e chegamos à cidade pelo antigo porto, barquinhos coloridos, roupas nas cordas entre janelas, senhoras conversando na porta de casa, ruas que são verdadeiros labirintos com muitas igrejas, casinhas floridas, monastérios e muitos pequenos restaurantes com mesas ao ar livre.

O castelo de Carlos V fica na ponta da cidade, foi construído no século XVI. Nós não entramos, mas é aberto para visitação. Monopoli é um encanto de cidade e o melhor é se perder sem pressa pelas suas estreitas ruas floridas. Acho que é possível conhecer a cidade em 2 ou 3 horas

Alberobello

Continuando o roteiro da Puglia, seguimos para uma cidade que mais parece um cenário de filme, ou de casinhas de bonecas. Alberobello é patrimônio da humanidade pela Unesco, é a cidade dos trulli. Nunca tinha visto nada como as construções de Alberobello. Se existe uma cidade que não pode faltar no roteiro na Puglia é Alberobello. Os `Trulli` são verdadeiros cartões postais de Alberobello. São em torno de 1400 casinhas brancas de pedra com telhados em formato de cone. As casas não são construídas com cimento, as pedras foram encaixadas, uma a uma como se fosse um grande lego. Existem muitas histórias sobre a origem dos trulli; uma delas conta que os camponeses construíram as casas desta forma para evitar a cobrança dos impostos em terras que não eram deles. Quando havia alguma inspeção, a casa era desmontada rapidamente, virava um monte de pedras, e não representava nenhum sinal de uma habitação. Muito interessante também observar os símbolos desenhados em muitos dos telhados dos Trulli. Parece que são símbolos pagãos que simbolizavam magia, espiritualidade, e superstição para proteção aos moradores.

Lugares para conhecer:

Piazza del Popolo:  Esta é uma pracinha simpática de onde começamos nossa caminhada em direção aos Trulli, após termos parado o carro na rua mesmo. A poucos passos da Piazza, existe um pequeno terraço debruçado para as ruas dos Trulli. Tirar fotos deste mirante rende imagens lindas, então vale uma parada por la. Na praça tem um mapa estampado em azulejos que nos ajudou na orientação da cidade. Mas Alberobello é tão compacta que foi muito fácil de visitar.

Aia Piccola: Esta é a área do centro histórico que os Trulli são mais residenciais. Este lado é bem mais tranquilo com poucos turistas comparado a Monti. E foi na Aia Piccola que visitamos um trulli com seu mobiliário local para ver como as pessoas viviam há séculos atras.  

Monti: Esta é a área dos Trulli que são mais comerciais, e por isso com maior número de turistas. Os Trulli foram transformados em lojinhas de souvernir, de artesanato, hotéis, bares, restaurantes e é uma delícia percorrer sem pressa as pequenas ruas observando cada detalhes destas construções tão únicas.

Igreja de São Cosme e São Damião: Indo em direção contraria as ruas dos trulli, caminhamos pela avenida Vittorio Emanuelle, e ao final dela, está a mejestosa igreja de São Cosme e São Damião. Fiquei emocionada em vê-la, porque a tradição de distribuição de doces fez parte da minha infância, da minha história no Rio de Janeiro. A igreja é linda, e vale uma vista por lá

Trulli Siameses: Estas casinhas únicas possuem uma história bem curiosa, e é bem fácil de ser achadas na caminhada entre as ruelas de Monti. São 2 casinhas geminadas com entradas por ruas diferentes, mas com o mesmo telhado. A lenda conta que 2 irmãos que moravam ali se apaixonaram pela mesma moça. Ela foi prometida ao mais velho, mas acabou se casando com o mais novo. A casa foi dividida e para que os irmãos não se encontrassem, cada porta foi direcionada para uma rua.

Matera

Matera fica na fronteira entre a Puglia e Basilicata, e como a distâcia era de 100 km de Polignano a Mare, fomos lá conhecer. A cidade é considerada uma das mais antigas do mundo, e é chamada da cidade dos `Sassi` que são bairros antigos, cavernas escavadas na pedra, em outras palavras, as pessoas moravam nestas cavernas formadas na massa da rocha. São centenas delas formando uma cidade única e que é patrimônio da humanidade pela Unesco.

Até os anos 50, milhares de pessoas ainda moravam nestas casas, mas as condições de higiene e saneamento eram muito básicas e isso era um verdadeiro motivo de vergonha para a Itália. As casas foram desocupadas, os moradores transferidos e Matera se tornou uma cidade fantasma. Mas a cidade se reinventou, e foi nomeada como patrimônio da humanidade. As cavernas viraram museus, restaurantes, hotéis, cafés, e ainda foi escolhida como a capital europeia da cultura em 2019. Mas recentemente, Matera também foi escolhida como parte das locações do filme 007. Por causa da pandemia o lançamento foi adiado. Contando os dias!

A cidade é dura, árida, esculpida na rocha, mas tem um encanto que nem sei explicar. A gente olha a cidade de um pequeno mirante da praça Vittorio Veneto e não consegue acreditar em tamanha beleza, mas ao mesmo tempo vem na cabeça como as pessoas viveram por anos em condições tão adversas. Matera é símbolo da italia e sem dúvida merece uma visita sem pressa explorando o labirinto das ruas estreitas, das casas gruta e o sobe e desce das escadas. Matera é única e incrível. Foi um dia para não esquecer.

Lugares para conhecer:

Praça Vittorio Veneto: Nosso dia em Matera começou por esta praça, super movimentada, em um vai e vem frenético de turistas. Caminhando pela praça nos deparamos com uma sacada em formato de arcos e sem saber exatamente onde ir dar, tivemos uma bela surpresa, um mirante incrível que nos fez entender naquele momento o que era Matera. Uma visão incrível das centenas de casas esculpidas nas pedras todas em um tom areia que não tínhamos certeza se eram habitadas ou não. Descemos pelo próprio terraço e fomos explorar cada rua. Muitas casas foram transformadas em hotéis, restaurantes, mas ainda assim, é um lugar que parece que parou no tempo, árido, duro, mas ao mesmo tempo surpreendente e lindo.

Palombaro Lungo: Em seguida compramos o ticket para visitar uma cisterna do século XVI. O ingresso era com hora marcada, então preferimos não arriscar em perder a visita guiada. A cisterna me lembrou a de Istambul, só que é bem menor. Mas foi uma visita interessante para entender como a água era preservada para abastecer a cidade. A entrada para comprar o ticket, é bem no centro da praça, descendo as escadas.

Igreja e Convento de São Francisco de Assis: Não entramos na igreja porque estava acabando um casamento e os noivos estavam confraternizando com seus amigos e família na escadaria. Foi divertido acompanhar o final da celebração. Em frente a igreja existe uma escultura bem moderna como a foto abaixo que vale observar

Igreja Rupestre Santo Agostinho: Nunca vi nada igual a esta igreja que é esculpida na rocha. Ela pode ser avistada de vários pontos de Matera pois fica no topo das pedras. Não entramos na igreja, mas observá-la de longe já foi único

Locorotondo

Uma cidade na Puglia de ruas estreitas toda branquinha com flores em absolutamente todas as casinhas, no topo da colina, muito tranquila, cercada de muralhas. Assim é Locorotondo. A cidade tem em torno de 10 mil habitantes e fica a 15 minutos de Alberobello. Cidade linda que vale passar uma tarde e se encantar com tantas flores. A vida passa mais devagar e com muita tranquilidade em Locorotondo.

Entramos no centro histórico por um grande portal, e de lá seguimos pelas ruas charmosas e bem estreitas. Em cada esquina, era uma parada para uma foto entre gerânios e buganvilles vermelhas nas portas das casas. Ao final do passeio, merecíamos um sorvete em uma daquelas cafeterias charmosas no centrinho. Ainda deu tempo também m para uma última parada em um jardim, bem em frente ao grande portão da cidade, de lã existe um ótimo terraço para observar a estrada que chega em Locorotondo e a grande região agrícola em volta. Um dia para não esquecer.

Ostuni

Ostuni é chamada de a cidade branca, ela fica no alto de três colinas, e a contemplação desta cidade única já começa na estrada, lá embaixo, a medida que vamos subindo e nos aproximando do labirinto de ruas estreitas de paralelepípedos com casinhas brancas, e floridas. E quando chegamos no topo, alcançamos uma visão panorâmica incrível do mar adriático. E de tirar o fôlego. O melhor de Ostuni na Puglia é se perder nas ruelas, apreciar as casinhas, acompanhar a vida tranquila dos moradores e andar sem pressa.

História para saber

A história conta que durante o século XVIII a cidade de Ostuni foi atingida uma grave seca gerando uma serie de epidemias e pestes, e a população e os governantes acreditavam que pintar as casas de branco, com uma camada de cal, era uma forma de higienizar e desinfetar as casas, protegendo-as contra a peste e diminuindo o risco de doenças. Principalmente o centro histórico conserva ainda a maioria das casas branquinhas, o que virou marca registrada de Ostuni. Mas a história de Ostuni vem de milhares de anos, conquistada por gregos, romanos e normandos.

Lugares para conhecer:

Catedral Santa Maria Assunção: No meio de tantas casinhas brancas, me chamou atenção esta igreja de 1500 com uma cor meio rosácea. Me lembro que era um dia de muito calor, e paramos para um suco em um bar simpático com cadeirinhas ao ar livre e ficamos ali por alguns minutos observando a praça da catedral que tinha a mesma idade do Brasil.

Arco Scoppa: Se tem um lugar que me marcou em Ostuni foi o Arco Scoppa que é um dos símbolos da cidade. No meio de todas aquelas casas brancas, na mesma praça da catedral, me deparei com o imponente Arco Scoppa em estilo barroco que liga o Palácio Vescovile e o Palácio do Seminário. Ele é de 1750 e possui um estilo barroco pugliese. Me encantei com esta parte da cidade

Praça da Liberdade: Geralmente é nesta praça que os passeios começam. É o ponto central do da parte histórica de Ostuni e conta com um grande obelisco, igrejas e o palácio municipal. A partir da praça fomos conhecer a cidade explorando as ruelas e suas casinhas brancas.

Porta Azzura: Este é um daqueles lugares instagramáveis que os turistas não resistem e param para uma foto. A porta é colorida e talvez faça sucesso no meio de tantas casas brancas. Fica bem no topo da cidade. A parte bacana é que logo ao lado existe vários lugares com vistas incríveis da cidade e que oferece uma vista panorâmica com o mar adriático ao fundo.

Lecce

O incrível da Puglia é que cada cidade tem suas características tão própria, as cidades são tão perto uma da outra, mas ao mesmo tempo tão diferentes e tão únicas. Nos surpreendemos na visita a cidade de Lecce que é considerada a Florença do sul da Italia. A Arte barroca está presente em cada cantinho da cidade, herança do domínio espanhol. Mas o momento de maior encantamento foi estar andando pelas ruas do centro histórico e me deparar com um anfiteatro romano, descoberto por escavações em 1938 tornando a cidade um verdadeiro museu a céu aberto.

A arte barroca de Lecce foi amplamente construída no século XVII com o domínio espanhol que hoje a deixou conhecida também pela homenagem como `Dama do Barroco`. Mas uma vez, o grande destaque é se perder nas ruas e ir admirando em cada esquina a sua arquitetura, cheia de detalhes em suas igrejas, e casarões

Um segundo destaque também é o Anfiteatro Romano do ano 1 a.C cravado no centro histórico

Otranto

Eu tinha uma grande expectativa para conhecer Otranto na Puglia, em função do Castelo Aragonese uma impressionante construção de 1498, em forma de um pentágono, feita por Fernando de Aragão. Desde que acompanhei toda a série espanhola Isabel, Rainha de Castilla, fiquei fascinada pela história deles. Fernando de Aragão era marido de Isabel e unificaram a Espanha, financiaram Cristovão Colombo, mas isso já é uma outra história.

Voltando a Otranto, a visita ao Castelo que é rodeado por um fosso que o protegia de possíveis invasores, é bem bacana, e oferece uma vista magnifica de todo o mar de Otranto e um pequeno porto. O que eu não imaginava era encontrar um mar lindíssimo, cor azul turquesa, e águas transparentes. A vista do mar de Otranto foi um dos mais belos que vi em toda a Puglia.

Lugares para conhecer:

Castelo Aragonese: Talvez este seja o grande atrativo de Otranto, ele se mistura com o próprio centro histórico. O castelo não tem mobiliário, mas sim pequenas galerias, exposições, e acho que o ponto alto é o último andar com uma grande área livre que é possível caminhar e observar a cidade de cima, com vistas espetaculares. Como Otranto sempre teve uma posição geográfica muito importante na rota entre oriente e ocidente, e era o principal porto da Itália em direção ao oriente, e por isso a cidade foi conquistada ao longo de séculos por turcos, franceses, bizantinos, lombardos e aragoneses. Então a cidade é uma grande mistura de culturas.

Borgo Antigo: Saindo do Castelo e andando em direção ao mar, está o centro histórico de Otranto, com lojinhas, restaurantes, e uma infinidade de pequenas ruas. Nos estivemos em Otranto em setembro, e após o almoço o comércio fechava após o almoço. Talvez isso não aconteça no verão, mas na baixa estação, é uma boa dica para se programar.

Marina de Otranto e praia da cidade: Saindo do Castelo Aragonese, caminhamos pela orla. A vista da marina com águas tranquilas recebendo os barquinhos que chegavam e partiam conquistou meu coração. A vista é sensacional. Caminhando mais um pouco, chegamos no centro histórico com vários restaurantes. É só escolher um e torcer para o almoço passar bem devegar para apreciar toda aquela vista incrível da praia e de pequenas piscinas naturais cercadas por grandes pedras.

Grotta de la Poesia

Entre a cidade de Lecce e Otranto paramos para conhecer a Gruta da Poesia, um dos lugares mais incríveis que visitamos. A gruta passou anos sendo esculpida pelo vento e virou uma piscina natural e lugar preferido para quem quer dar um mergulho com muita adrenalina. Não, eu não pulei na piscina, mas fiquei horas sentadinha olhando os saltos olímpicos dos turistas. Para quem não gosta de muita adrenalina, tem uma opção para aproveitar as águas cristalinas. Uma escadinha de pedra desce direto até a piscina. Existe um estacionamento para os carros, porém de lá, tem que andar em torno de 1km até a gruta.

O nome da gruta está ligado a uma lenda de uma princesa muito bela que costumava tomar banho regularmente na gruta e com o passar do tempo atraiu poetas e artistas, se tornando uma musa inspiradora. Pura poesia.

A Puglia é um conjunto de pequenas cidades com muitas belezas naturais, história, uma cozinha mediterrânea única e um povo muito acolhedor. Talvez a Puglia ainda não seja tão explorada sob a ótica do turismo como as outras cidades da Italia, mas com certeza ela tem todos os atributos para que os viajantes a incluam em seus roteiros. Foi uma viagem inesquecível e que quero muito voltar!

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Adriana Direne

Adriana Direne

Apaixonada por viajar e trazer muitas histórias pra contar

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